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Sede da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais

[projeto]
Belo Horizonte, Minas Gerais, 2005
Autor: Thiago de Andrade e Stepan Krawctschuk
Colaboradores: Reinaldo Navarro e Márcio Sadao

Memorial

  Ao nos depararmos com o desafio de projetar uma grande e importante intervenção,
em contexto urbano e patrimonial tão delicado, impusemo-nos o desafio de pensar no caráter de intervenção de todo o Conjunto Cultural da Praça da Liberdade tentando verifi car seu apelo no imaginário local. Neste processo, pudemos perceber que essa percepção se estende além dos limites da própria cidade de Belo Horizonte, atingindo toda sua importância em relação ao estado de Minas Gerais, não somente por ser a sede do governo deste estado, mas também por estar ligado a um dos primeiros e mais signifi cativos processos da história do urbanismo brasileiro. Esse transformou todo um planejamento regional obsoleto e antiquado, transferindo a capital do estado de Ouro Preto para Belo Horizonte. É justamente aí que esse processo ganha importância histórica nacional, merecendo todo o respeito pelo projeto urbanístico de Aarão Reis, inserindo-se na heróica e conturbada história da urbanização brasileira de novas cidades,
e pelo paulatino processo urbanizador que fez de Belo Horizonte um pólo tanto cultural – no sentido mais amplo da palavra – quanto econômico.
   Ressalta-se a Praça da Liberdade como primeiro e mais nobre pólo dessa cidade de fi ns do século XIX. Seus ícones da arquitetura eclética, apesar de não serem a mais fi na fl or de toda uma escola e estilo, possuem grande pregnância como conjunto e despertam hoje um sentimento popular de nostalgia que confronta e conforta frente ao novo, ao contemporâneo, e a toda uma grande especulação imobiliária do entorno. O apego de boa parte da população, como pudemos verifi car em visitas e conversas com vários belo-horizontinos, em relação ao conjunto arquitetônico edifi cado, talvez seja ainda menos importante do que aquele em relação ao conjunto urbanístico. Ou seja, a própria Praça da Liberdade evoca seus princípios em seu próprio nome no espírito do republicanismo nascente no Brasil daquele período. Não por acaso, há uma clara separação dentro do projeto de Belo Horizonte entre sede de Governo e Igreja - que
não se faz presente na Praça da Liberdade - ao invés, temos bibliotecas, edifícios de universidade e todo um corpo de atividades culturais circundando mais espaçadamente
o contexto da praça.
   Outra característica relevante é a de que a Praça não se fecha nem se completa estaticamente em um só momento histórico. Ao contrário, é um dos exemplos mais didáticos e óbvios de marcação de ícones e intervenções de vários momentos da arquitetura brasileira, indo desse ecletismo em questão, ao pós-modernismo historicista de citações, passando pelo modernismo dos pioneiros mineiros e da presença importante de duas expressivas obras de Niemeyer na capital mineira.
   Portanto, cremos estar contribuindo com todos esses espíritos ao edifi car um projeto contemporâneo fruto de processo maduro tão importante, sem negar o valor intrínseco e social do edifício existente, mas, ao contrário, respeitando-o e entendo-o nas suas características principais. Importou-nos também a intenção de reavaliar o papel social e cultural de uma orquestra sinfônica estatal, sempre tão relegado a um posto de “alta cutura”, tão inacessível a boa parte da população e mesmo à juventude, procurando
sempre fazer um projeto que tenha no binômio respeito pela imagem popular × franqueza de acesso ao público diversifi cado sua maior contribuição.