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  Kazuyo Sejima e Ryue Nishizawa são os arquitetos responsáveis pelo esritório japonês SANAA.
   Donos de um trabalho extremamente delicado e refletido, têm colaborado muito para uma reflexão da síntese e simplicidade complexa na arquitetura contemporânea.
   O prêmio, que é o mais importante da arquitetura mundial, assustou-me pela, digamos, precocidade. Não que não ache merecido, pois seus trabalhos me são referenciais, mas pelo curto período de destaque e até por uma pequena quantidade de projetos realizados.
   Com isso, o Pritzker reforça a premiação de 2009, oportunidade na qual escolheu Peter Zumthor, outro dos meus favoritos, que, em linhas gerais no comentário oficial da premiação, também ressalta a economia de meios e o caráter de um trabalho cuidadoso, sintético, dedicado e pensado com base no local e suas peculiaridades.
   Não posso deixar de pensar e considerar que os últimos dois prêmios tenham estrita relação com a crise econômica do fim de 2008. Há um movimento orquestrado por vários autores, inclusive alguns do star system mundial, algumas revistas importantes, como a AV, Volume, etc., de uma retomada de um pensamento sobre uma arquitetura social e ambientalmente responsável, livre de arroubos e exageros plásticos, pensada pela economia de meios, durabilidade, etc., e principalmente na adequabilidade indissociável da boa arquitetura ao lugar, à relação entre cultura local e universalismo, e aos seus usuários como pessoas determinadas. Nisso também se inclui a recente premiação de um projeto sul-africano, de autoria de Peter Rich Architects na World Architectural Festival (http://www.worldbuildingsdirectory.com/project.cfm?id=1634).
   Nos últimos 10 prêmios, de 2001 a 2010, temos pelo menos a metade de arquitetos fora dos chamados "grandes celebridades": Glenn Murcutt, 2002 (surpresa geral), Jorn Utzon, 2003, que embora conhecidíssimo pela Opera de Sydney, não é um arquiteto pop ou da moda, Paulo Mendes da Rocha, 2006, Peter Zumthor (2009), e agora o SANAA.
   É de se ressaltar a formação do juri nos últimos dois prêmios com o jovem arquiteto chileno Alejandro Aravena, dono de obra relevante na américa do sul (http://www.abitare.it/highlights/arquitectos-por-chile/). E também Juhani Pallasma, arquiteto finlandês notório pela sua agenda fenomenológica na discussão e valoração da arquitetura. Não consigo deixar de pensar que eles tenham tido papel importante nas duas últimas escolhas, mas é só um palpite.
   No mais, segue o link para o site que é nosso luminar na divulgação de concursos e assuntos arquitetônicos: http://concursosdeprojeto.org/2010/03/28/pritzker-2010-sanaa/
 
 
São estes os projetos:
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Insituto Cervantes
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Residência VPC
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Residência Leo e Julia
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Residência D.A. Santa Barbara, CA, EUA
 
Novos Projetos 12/16/2009
 
Atualizamos o site dando início à primeira parte do movimento "vamos fechar o ano com tudo funcionando!"
Acessem a HOME aí ao lado e vejam os links em "novos projetos".

Abraços,
Thiago
 
 

Visite a seção de projetos feitos para concursos nacionais e internacionais.

Aos poucos vamos terminando de atualizar o site inteiro. As seções de projetos feitos para clientes, e novas sessões de fotos da Joana França, retratarão as nossas obras mais recentes e as construídas. Aguardem.

Abraços,
Thiago de Andrade

 
 

Há coisas que só o mundo da Internet e o Google fazem por você. Acabei de descobrir uma publicação espontânea de um blog de arquitetura e decoração em inglês - de onde serão? americanos? - que nos achou e resolveu publicar um projeto que acabáramos de publicar aqui, o Mário Lúcio Negócios Imobiliários.

Foram gentis no texto e coerentes. Entretanto já deixei um comentário para que corrigissem algumas informações, bem como para que dessem os créditos da fotógrafa Joana França.

É isso! A internet tem suas idiossincrasias e são muitas.
Até,
Thiago de Andrade

 
2 Residências 03/04/2009
 

Postamos dois novos projetos residencias:Residência PTL e Residência BRC
Tratam-se de dois projetos muito distintos e em situações climáticas e naturais diferentes, embora com topografia e vistas semelhantes. Ambas se abrem para encostas e serras significativas.
A PTL é uma casa de cerca de 380m², em dois pavimentos e com programa extenso e convencional, já a BRC é uma pequena residência de 90m² para um jovem solteiro.
  
Espero que gostem, estou preparando os próximos uploads.

 
 

   Postamos um novo projeto e obra nossos: Mário Lúcio Negócios Imobiliários
Com fotos recentes de Joana França.
   Trata-se de um escritório imobiliário em Brasília, 3 salas conjugadas e cerca de 90m².
   Obra boa de executar e proprietários bons, sensatos e sobretudo corretos, e por isso a obra correu muito bem, sem atrasos (90dias) e os clientes estão satisfeitos.
Abraços e até o próximo projeto.

 
 

Meu brilhante colega Oscar Niemeyer

É a ciência e o conhecimento da cultura arquitetônica, sua história e seu desenvolvimento que leva à indignação e aos protestos manifestados por boa parte da população, douta ou leiga. É claro, surgem também, nesse rendez-vous, algumas opiniões pouco balizadas, inflamadas, e mesmo despropositadas, mas isso é só parte dos liberalismos da internet e do alcance e interesse público no debate.


Não é por puro fetiche que tenho um quadro assinado por você pendurado em minha parede, é muito mais por admiração e respeito. Entretanto, como colega nascido em Brasília, apaixonado pela cidade, e que faz um esforço tremendo para entendê-la em sua materialidade dialética, acho as justificativas apresentadas por você um tanto quanto maniqueístas, inverídicas e parciais.

Compreender a história das cidades, do urbanismo e da arquitetura nos leva a um reconhecimento de que as ações perpetradas por arquitetos, poder público ou pela própria população espontaneamente, nem sempre levam a uma evolução, a um aumento da compreensão e qualidades do espaço. Assim, poderíamos gastar desmedido espaço neste fórum, enumerando intervenções desastrosas nas cidades mundo afora: elevados para circulação de automóveis trazem “mudanças impossíveis de conter”, adros de igrejas históricas são desconfigurados pelos densenvolvimentos “impossíveis de conter”, na maior parte das vezes levando os anéis e os dedos.

Assim, o que me preocupa e me concerne é que a perspectiva livre do congresso não necessita ajustes, modificações, nada. É por demais, e suficientemente bela, para ser “completada”.
Oscar, permita-me a intimidade, aceitaríamos de bom grado uma praça útil, mesmo que com função de abrigar um raríssimo “panteão” presidencial, naquele mesmo sítio escolhido. Ali as pessoas fariam hora para pegar seus ônibus, estacionariam seus carros para as atividades culturais, tomariam um chá como imaginou Lucio Costa para o edifício do Touring Club.

Portanto, não é a ideia de uma praça que poderia corrigir e trazer o cosmopolitismo que Lucio imaginou para o cruzamento fundador da cidade que nos desagrada, mas sim a idéia de um obelisco daquele tamanho, já tão distinto dos tamanhos e gabaritos proposto por você ao redor, nas atividades culturais.


Encanta-me pensar que dessa cabeça saiu a praça dos três poderes, impecáveis com seus objetos soltos, sua relação tão bela e pacífica com o congresso e os demais edifícios, em suma, um conjunto de fato! É dessa mesma cabeça que imagino poder sair coisa muito mais siginificativa.

Fraternalmente,
Thiago de Andrade


 
 

Sobre o projeto da Praça da Soberania.***

Oscar Niemeyer

O projeto que elaborei de uma nova praça para Brasília criou tamanha polêmica que resolvi defendê-lo de uma maneira mais detalhada e convincente.

Não vou aos jornais em que alguns, alheios aos assuntos da arquitetura e do urbanismo, vêm a público e, sem dizer nada de novo, participam do debate em curso. Se eles fossem mais informados das modificações que ocorrem em todas as grandes cidades, não se envolveriam certamente na discussão que surge sobre a praça por mim proposta para Brasília. Deveriam saber que todas as metrópoles mundiais vêm sofrendo mudanças que se justificam, impossíveis de conter. Estariam cientes das grandes avenidas que Haussmann criou em Paris como coisa inevitável, e, mais ainda, compreenderiam que, se o seu plano urbanístico original fosse mantido, não existiriam nem os Champs Elysées nem o Arco do Triunfo. Saberiam que foi necessário, nessa capital, demolir algumas construções para se erguer o Jardim das Tulherias. E, na Espanha, valeria considerar o caso de Barcelona, a cidade a se modificar, procurando a aproximação do mar por todos desejada.

Até Nova York poderia servir de exemplo, com seus arranha-céus a dominarem a cidade “horizontal” que antes existia. E, no Rio de Janeiro, deveria ser lembrada uma solução que uma cidade tombada não permitiria: derrubando morros e prédios, com o objetivo de abrir uma grande avenida, o prefeito Pereira Passos propôs uma reforma que até Le Corbusier elogiou, entusiasmado, em sua passagem por esta capital.

Ah, como são irrecusáveis e necessárias essas modificações que se impõem nas grandes cidades! Ainda se poderia recordar a influência que o urbanista Agache teve no Rio, propondo que os prédios construídos em pilotis no centro da cidade criassem um passeio coberto sobre as calçadas.

Diante de tudo isso, me espanta a discussão levantada ao apresentar uma nova praça a ser construída em Brasília. Em minha última visita pude sentir, com clareza, a necessidade de se criar uma praça com escala compatível com a capital de um país que se faz tão admirado como o nosso. E é meu direito e obrigação concebê-la e propô-la.

Vêm-me à memória as grandes praças que encontrei por toda a parte — tão importantes e bonitas que, como acontece com todo o mundo, nunca as esqueci. E isso, apenas isso, constitui a minha preocupação de arquiteto.

Recordo-me como refleti antes de projetar a nova praça: desde o início de Brasília a minha participação na aprovação do Plano Piloto foi tal que me senti mais à vontade para agir. E lembro o dia em que o colega presidente do Instituto de Arquitetos do Brasil me procurou: disse-me que a ideia do instituto era interromper o concurso para o Plano Piloto, em andamento, que esse órgão é que deveria se incumbir do assunto. Ele havia estado com Israel Pinheiro, que, surpreso com essa proposta, lhe pediu que me procurasse. E a nossa conversa foi curta e definitiva, eu a lhe afirmar claramente que encontrariam todos os obstáculos da minha parte. E, recordando tudo isso, fico tranquilo e feliz: minha resistência contribuiu para que o concurso chegasse a termo e para que Lucio Costa tivesse recebido a missão de conceber o urbanismo da cidade.

E para justificar a minha intervenção, fico a lembrar minha atuação durante esses anos em Brasília, inclusive o dia em que deixei o conforto de meu escritório do Rio, atendendo JK e indo passar meses seguidos naquele então fim de mundo. Por seu lado, tranquiliza-me sentir a maneira pouco comum com que eu hoje projeto os prédios de Brasília. Das importâncias recebidas fico apenas com a parte referente à concepção da arquitetura; o resto destina-se aos meus colegas escolhidos para o desenvolvimento dos projetos.

E, pouco a pouco, fui constatando que eu, mais do que qualquer um, estava em condições de propor essa praça a meu ver importante para a capital do país.

Lembro que, quando a discussão sobre esse projeto teve início, Maria Elisa Costa, filha de Lucio, veio ao meu escritório, espontaneamente, para me dizer que estava de acordo com a praça projetada, que em nada prejudicava o Plano Piloto, e dela não se ouviria nenhuma crítica sobre o meu trabalho. Agradava-me a maneira gentil como me procurara. Dois dias depois, ela me escreveu uma carta, comunicando, para surpresa minha, que mudara de idéia: em sua opinião, o prédio destinado ao Memorial dos Presidentes prejudicava visualmente a Rodoviária. É claro que a atitude correta que teve me procurando ainda me sensibiliza, mas o argumento apresentado não me parece razoável nem forte o bastante para justificar uma revisão no projeto: o Memorial dos Presidentes, que não é ideia minha, mas uma sugestão do próprio governo, está afastado da Rodoviária 400 metros, previsto em pilotis, permitindo a ligação direta que, como um passeio, se poderá fazer entre os dois edifícios; em nada prejudica a visibilidade do conjunto e, pelo contrário, só valoriza a Rodoviária, integrando-a como acesso mais importante à grande praça.

A campanha contra o meu projeto parece continuar. Pessoas até então desconhecidas se permitem ainda falar sobre o assunto. A construção da praça, daqui para a frente, não é problema meu; ao governador do Distrito Federal, lúcido e competente como é, caberá resolvê-la.

O que me importa como arquiteto é, desinteressado nas opiniões que surgem, defender de uma vez por todas um trabalho que, com tanto entusiasmo, realizei.

Os que contestam qualquer modificação em Brasília, se fossem mais curiosos e interessados no que ocorre neste velho planeta, saberiam que um dia — como os cientistas preveem — as calotas polares poderão derreter mais rapidamente, elevando o nível dos oceanos a mais de dois metros. E aí, meus amigos, o que mais importa não é uma imposição como a que eu vinha comentando, mas a própria natureza a intervir em todas as áreas litorâneas, exigindo da arquitetura e do urbanismo as soluções indispensáveis.

E vou mais longe. A degradação ambiental começa a se agravar, determinando um dia, quem sabe, que as grandes áreas abertas venham a ser arborizadas, e que as coberturas de concreto, previstas na maioria dos edifícios, sejam também transformadas em terraços-jardim cobertos de grama.

E fico a refletir sobre o texto que acabo de escrever, certo de que a vida, o progresso humano e a própria ciência justificam as grandes modificações que a arquitetura e o urbanismo vêm propondo em toda a parte.

Oscar Niemeyer
Arquiteto

*** apesar de não ser exatamente o foco deste blog, o moderador achou por bem publicá-lo em função das considerações acerca do desenvolvimento crítico da arquitetura.

 
 

CA & AC - Cultura arquitetônica & Arquitetura Crítica

   Inauguramos este blog que abordará aspectos caros à cultura arquitetônica. Antes de ser um blog do Atelier Paralelo deverá abrigar devaneios, dicas e resenhas de leitura, cinema, exposições, arte, música e observações urbanas serão sempre bem-vindas e esperamos contar com colaborações.
   Em especial, pretendemos colocar seções de análises e discussões de projetos de arquitetura desconhecidos da grande mídia arquitetônica, feitos por autores "perfiéricos", fora do star system, de preferência tendo sido visitados pelos autores dos posts. Porque afinal, arquitetura é uma realidade material tridimensional, e bem sabemos, uma obra vista in loco é sempre recepcionada de maneira mais intensa e completa, tanto para o bem quanto para o mal.
   Thiago de Andrade