Artetetura Contemporânea 09/15/2011
Add Comment Entrevista feita por e-mail. 1. O que torna a cidade de Brasília especial para você? Por favor, citar os locais que na sua opinião valorizam a cidade. No que tange ao Plano Piloto, onde vivo, a grande contribuição de Brasília é a Superquadra. Ela é o que há de mais especial para o morador em seu cotidiano. Uma pena que esteja restrita a uma parcela muito pequena da população e esteja se tornando cada vez mais excludente dado o alto custo da habitação nessas áreas. Além da Superquadra, é claro que os monumentos de Brasília qualificam a cidade, e, na minha opinião, o edifício mais importante e belo da cidade é a rodoviária do Plano Piloto. Projeto raro de Lucio Costa na cidade, ela resolve e articula o centro físico e simbólico de Brasília sem limites definidos entre o viário, o edifício funcional, e o simples tecido urbano que se desdobra em níveis com grande clareza de intenções. É de sua plataforma superior que se compreende a esplanada dos ministérios, em toda a sua monumentalidade, e a sua continuação para o oeste, com a belissima vista da torre de TV, também projeto de Lucio Costa. Lembro-me, quando criança, que me impressionava a descida pelas escadas rolantes mirando o terminal rodoviário de cima, com seu pé-direito duplo e aquela visão panoâmica que apresentava um certo senso de realidade, de quantidade. É dali que se irradiam os pequenos lampejos de vida coletiva e movimentada que aludem a um centro de cidade tradicional. É, conjuntamente com o Setor Comercial Sul, o único lugar da cidade com caráter de centralidade. Infelizmente, é esquecida por grande parte da população do Plano Piloto, altamente elitizada que não transita por ali. 2. Em quais aspectos Brasília surpreende o "turista" que imagina encontrar apenas as sedes oficiais do poder na cidade? Em outras palavras, qual é o lado B de Brasília? Brasília surpreende os turistas especialmente pelo ordenamento do espaço urbano, pela amplidão da paisagem e a permanência dos horizontes, além do já cantado e poetizado céu. Quando eles têm acesso aos habitantes da cidade costumam também se impressionar com a possibilidade de se morar em um parque, mas também com o "cosmopolitismo brasileiro" que há aqui. É na cidade que o Brasil converge e preconceitos regionais são relativizados. Entretanto, impressionam-se também negativamente pela ausência de pessoas nas ruas de modo generalizado, pela dependência do carro, pela distância relativa das coisas e sobretudo pela excessiva setorização da cidade. Agora, os lados B de Brasíla, podem ser vários: o circuito gastronômico da cidade que cresceu absurdamente, o circuito cultural da cidade que atrai grandes exposições vindas de fora, embora a produção artística local, bem como a popular, estejam carecendo de incentivos e divulgação. E, sem dúvida, para além dos parques da cidade e do Lago Paranoá, a natureza do entorno é rica em beleza geológica e águas, além da fauna e flora do cerrado. Este é um momento de forte descoberta das potencialidades do cerrado e de valorização das riquezas culturais e naturais da região. 3. Quais são os principais temas que a população de Brasília está discutindo para ter uma vida melhor na cidade? Sem dúvida são os problemas de transporte público, o alto custo habitacional e de expansão da mancha urbana. Temas como a regularização de condomínios, criação de novos bairros e novos meios de transportes motivados pela Copa do Mundo de 2014 não saem do noticiário. Se equipararmos o Distrito Federal a um município ele já é o 4º do país com cerca de 2.600.000 habitantes. A minha preocupação é que se continuarmos no atual ritmo de crescimento (o maior do país em termos metropolitanos) chegaremos a terceira região metropolitana do país em 10 anos. E isso é realmente preocupante. Não podemos repetir São Paulo 40 anos depois, conhecendo todos os resultados de uma expansão urbana desenfreada! Mas a solução não estará centrada na cidade, mas sim no resgate do planejamento de todo o território, tanto do entorno imediato quanto das regiões do país. Algo que abandonamos de modo gradual após o golpe militar em 1964. Tínhamos uma tradição de construção de novas cidades, e esse conceito, abandonado por teorias administrativas, políticas e urbanísticas, terá que ser revisto e resgatado. Há tempos acompanho o site do fotógrafo português Fernando Guerra. Ele já havia postado umas fotos desse projeto ainda em obras. Sempre em visita com o próprio Alvaro Siza. Finalmente ficou pronto ou, pelo ensaio do fotógrafo, quase. Siza, perto dos 80 anos, está fiscalizando a obra e aparece fazendo croquis de prováveis revisões no detalhamento e construção. Incrível a vitalidade e o amadurecimento sem fim do mestre. Os espaços têm naturezas sempre singulares, lavados pela luz natural e com a única mácula do chão de madeira, que faz a espacialidade ter matéria, vínculo com a realidade cotidiana. Os pisos de madeira estão ali só para que o usuário não se perca no etéreo, sinta seu cheiro e reconheça algo de familiar, porque nada mais é familiar nesse edifício. Lembro-me do Siza responder ao ser questionado sobre sua parceria com Frank Gehry no projeto de um campus nos EUA. Ele, Gehry, um arquiteto tão diferente e aparentemente incoerente com a prática de Siza. Foi algo mais ou menos assim:"Ora, o que eu gosto é de trabalhar com gente inteligente, não importa sua arquitetura, sempre haverá diálogo." E não posso deixar de lembrar do Frank Gehry nesses espaços, embora totalmente diferentes, sem cópia ou mimese, sem referência, mas fiquei tocado com a complexidade elementar que ele busca em arroubos no teto. É claro que isso existe em todo o percurso do Siza, mas quão louvável é um arquiteto em permanente transformação mesmo depois de consagrado, maduro, com 80 anos? Também não posso deixar de ler esse projeto sem relacioná-lo com o Museu Iberê Camargo, e duas obras esportivas mais recentes, em que as curvas, nunca exibidas nem gratuitas, mediam a relação do espaço interno com o externo. Chorei! Ipês no Eixão, Brasília, seca de 2010 09/13/2010
Nesta seca o único alento tem sido a presença arrebatadora do amarelo dos Ipês, principalmente no Eixão Norte, em Brasília. Viraram a atração turística do fim de semana, todo mundo parando para tirar fotos, noivas, casais de namorados, ciclistas, famílias em piqueniques... Como diria a Christina Manfrinato, a cidade é tão planejada que até a natureza fica verde e amarela no 7 de setembro. Pritzker 2010 vai para o SANAA 03/29/2010
Kazuyo Sejima e Ryue Nishizawa são os arquitetos responsáveis pelo esritório japonês SANAA. Donos de um trabalho extremamente delicado e refletido, têm colaborado muito para uma reflexão da síntese e simplicidade complexa na arquitetura contemporânea. O prêmio, que é o mais importante da arquitetura mundial, assustou-me pela, digamos, precocidade. Não que não ache merecido, pois seus trabalhos me são referenciais, mas pelo curto período de destaque e até por uma pequena quantidade de projetos realizados. Com isso, o Pritzker reforça a premiação de 2009, oportunidade na qual escolheu Peter Zumthor, outro dos meus favoritos, que, em linhas gerais no comentário oficial da premiação, também ressalta a economia de meios e o caráter de um trabalho cuidadoso, sintético, dedicado e pensado com base no local e suas peculiaridades. Não posso deixar de pensar e considerar que os últimos dois prêmios tenham estrita relação com a crise econômica do fim de 2008. Há um movimento orquestrado por vários autores, inclusive alguns do star system mundial, algumas revistas importantes, como a AV, Volume, etc., de uma retomada de um pensamento sobre uma arquitetura social e ambientalmente responsável, livre de arroubos e exageros plásticos, pensada pela economia de meios, durabilidade, etc., e principalmente na adequabilidade indissociável da boa arquitetura ao lugar, à relação entre cultura local e universalismo, e aos seus usuários como pessoas determinadas. Nisso também se inclui a recente premiação de um projeto sul-africano, de autoria de Peter Rich Architects na World Architectural Festival (http://www.worldbuildingsdirectory.com/project.cfm?id=1634). Nos últimos 10 prêmios, de 2001 a 2010, temos pelo menos a metade de arquitetos fora dos chamados "grandes celebridades": Glenn Murcutt, 2002 (surpresa geral), Jorn Utzon, 2003, que embora conhecidíssimo pela Opera de Sydney, não é um arquiteto pop ou da moda, Paulo Mendes da Rocha, 2006, Peter Zumthor (2009), e agora o SANAA. É de se ressaltar a formação do juri nos últimos dois prêmios com o jovem arquiteto chileno Alejandro Aravena, dono de obra relevante na américa do sul (http://www.abitare.it/highlights/arquitectos-por-chile/). E também Juhani Pallasma, arquiteto finlandês notório pela sua agenda fenomenológica na discussão e valoração da arquitetura. Não consigo deixar de pensar que eles tenham tido papel importante nas duas últimas escolhas, mas é só um palpite. No mais, segue o link para o site que é nosso luminar na divulgação de concursos e assuntos arquitetônicos: http://concursosdeprojeto.org/2010/03/28/pritzker-2010-sanaa/ Thumbnails dos novos projetos 12/16/2009
São estes os projetos: Novos Projetos 12/16/2009
Atualizamos o site dando início à primeira parte do movimento "vamos fechar o ano com tudo funcionando!" Acessem a HOME aí ao lado e vejam os links em "novos projetos". Abraços, Thiago Visite a seção de projetos feitos para concursos nacionais e internacionais. Publicação Espontânea 03/06/2009
Há coisas que só o mundo da Internet e o Google fazem por você. Acabei de descobrir uma publicação espontânea de um blog de arquitetura e decoração em inglês - de onde serão? americanos? - que nos achou e resolveu publicar um projeto que acabáramos de publicar aqui, o Mário Lúcio Negócios Imobiliários. 2 Residências 03/04/2009
Postamos dois novos projetos residencias:Residência PTL e Residência BRC | AutorThiago de Andrade é arquiteto pela FAU-UnB. Possui escritório próprio desde 2004 na cidade de Brasília. Arquivos
Setembro 2011 CategoriasAll |




















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